Rob Zombie tem pelo menos um mérito que ninguém lhe tira. Nos deu o tresloucado e excelente REJEITADOS PELO DIABO, em 2005. Lotado de figuras pra lá de bizarras e de situações que combinam altos níveis de horror e sensualidade (!), RPD já é um clássico do que poderíamos chamar de novo horror rural. Antes deste filme, porém, ele escorregara a mão em A Casa dos 1000 corpos, um filme fraco e sem graça. Mas, mesmo assim já era possível observar que o diretor trazia em sua estética visual toda a carga adquirida em décadas de trabalho com a banda metaleira White Zombie. Assim, Rob Zombie tem como marcas registradas de seu trabalho no cinema a crueza, o grafismo pesado e a extrema violência de seus filmes e personagens. Os cenários de Zombie são algo como uma mistura entre Hellraiser e Sergio Leoni; seus personagens, via de regra, são feios, sujos e malvados.
Agora, depois de dois anos de atraso, e quando a seqüência já está para estreiar nos cinemas, chega ao Brasil o esperado remake de Halloween, o clássico setentista criado por John Carpenter.
Na história original de 1978, Michael Myers, um garoto de dez anos, num ataque psicopata homicida, mata sua irmã a facadas após perceber que a mesma está tendo relações sexuais com o namorado dentro de casa, em seu quarto.
Preso, é encaminhado a um instituto para tratamento de doentes mentais onde passa 15 anos sob os cuidados do psiquiatra Dr. Loomis.
Numa noite de tempestade, Myers consegue finalmente escapar do manicômio e dá inicio a um banho de sangue ao se dirigir para sua cidade natal.
Ponto.
Não há muitas explicações para as questões que a história levanta. E eis aí o ponto chave para o remake de Rob Zombie: Responder as perguntas que ficaram em aberto no filme original. Quem é Michael Myers? Por que ele mata? Como ele ficou louco?
Dividido em atos, Halloween - o início tem uma introdução tão brilhante que chega a ser, visto isoladamente, melhor que o original. O primeiro ato nos apresenta a origem da doença de um Michael Myers pré-adolescente massacrado por uma vida pobre e violenta. Sem paz nem em casa, nem na escola, que são os dois universos onde habitam os garotos de sua idade. A mãe é uma stripper que tenta batalhar para criar os filhos, mas que não deixa de ser uma vergonha para Myers e ainda mais um motivo de chacota entre os colegas de escola. O padrasto, um beberrão agressivo que vive ameaçando atacá-lo. A irmã mais velha, o xinga, o humilha e denigre sua imagem o tempo inteiro. Na escola os garotos maiores o usam como saco de pancadas.
Um dia, Myers pira completamente! Você não piraria?
Essa é a grande sacada do inicio deste novo Halloween. Emprestar esse realismo a história foi uma tirada de gênio. Ao passo que Zombie nos responde os porquês de Michael Myers, ele nos mostra como, na vida real, as familias e a criação que damos para nossas crianças podem formar assassinos psicopatas. É de fato, a origem do mal.
Pronto. o filme acaba aí. Já no primeiro ato.
O segundo e o terceiro atos são outro filme. E queremos crer que não foram feitos pela mesma pessoa que fez o primeiro!
Pelo menos a violência explícita e direta, sem maquiagens e sem poupar os espectadores dos detalhes mais sangrentos sem mantem. Só isso vale assistir o filme até o final. O novo Michael Myers, interpretado pelo gigantesco Tyler Mane (o Dente de Sabre do primeiro X-Men)é bastante ameaçador fisicamente e isso garante uma boa dúzia de bordoadas e algumas paredes derrubadas à mão!
A terceiro ato do filme é uma cópia inferior do original, com inclusive alguns diálogos idênticos mas sem conseguir atingir a atmosfera tétrica da obra de John Carpenter mesmo apesar do uso da excelente trilha sonora também criada por Carpenter para o original.
Só não sei como vão justificar a sequência tendo em vista o final do primeiro. Mas não vou estragar a surpresa dos amigos que irão assistir a refilmagem de Rob Zombie contando o final do filme, né!?
Ano de Produção: 2007
Direção: Rob Zombie
Elenco: Tyler Mane, Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Danielle Harris, Danny Trejo, Hanna Hall, Bill Moseley, Brad Dourif, Udo Kier, Daryl Sabara, Sybil Danning, Sid Haig, Pat Skipper e Dee Wallace.